O FILHO PRODIGO

CANTATA DO FILHO PRÓDIGO

A cantata do Filho Pródigo tem uma historia interessante. Tudo começou em 1949, quando o pastor Siegfried Hoffman teve a idéia de escrever um texto sobre esta parábola, para ser musicado. Terminando de escrever ele pediu ao compositor Frederico Gerling, Jr. que fizesse a música. Parece-me que o professor Gerling compôs duas músicas, mas como não foram de agrado do pastor Hoffman, ele, basicamente, cancelou o projeto.

Em 1967, sendo eu diretor do Coral do IAP, e o pastor Hoffman, pastor da igreja do colégio, ele me contou que, há dezoito anos, havia escrito um texto, etc… etc… E, então, perguntou-me se eu não estaria interessado em compor a música para uma cantata, usando seu texto como letra para as canções. Eu disse que nunca havia feito nada desta envergadura, mas poderia tentar.

Ele entregou-me o texto, dando-me plena liberdade de alterá-lo, se necessário. Algumas frases eram muito repetitivas (estilo pastor Hoffman) e eu resolvi "enxugar" o texto.

Chegou a hora de começar a compor e não vinha nada à minha cabeça; e isso já levava mais de uma semana. Num domingo, resolvi fugir do colégio e ir comer num restaurante próximo. Na volta, enquanto caminhava os quatro quilômetros entre o restaurante e o colégio, ainda com o estômago cheio, começaram a soar as notas que tanto procurava para começar a compor a cantata. Resumindo: em uma semana a cantata estava pronta.

Escrevi-a para coral e solistas, mas sem narrador - eram 45 minutos de música. Alguns me perguntam porque não escrevi a parte do filho para tenor e sim para barítono. Respondo: porque no colégio, naquele ano, não tínhamos um bom tenor mas, sim, um bom barítono.

Isto foi em agosto de 1967 e no final de outubro a obra teve sua estréia, atendendo à expectativa do Pr. Hofmann e contando uma das mais belas e impressionantes histórias bíblicas sobre o amor de Deus.

A cantata do Filho Pródigo foi apresentada muitas vezes, em diferentes locais e igrejas, sempre por Coral, e tornou-se quase que uma marca registrada nossa.

Em 1972, aceitei um convite para trabalhar na Voz da Profecía, no Rio de Janeiro, como pianista do Quarteto Arautos do Rei. Os componentes do quarteto, na época, já tinham ouvido falar da cantata e estavam curiosos para conhecê-la.

Numa sexta-feira à noite, tive a idéia de reescrever o arranjo vocal original, que como já foi dito, era para coral de vozes mistas, transformando o arranjo para quarteto masculino, e no domingo seguinte à noite o projeto já estava concluído.

Pensando já em gravação, e na possibilidade de usar o Pr. Roberto Rabello na narração, reduzi a cantata de seus 45 minutos originais para 30 minutos, substituindo algumas das partes cantadas por texto narrado. Na segunda-feira seguinte, quando mostrei o trabalho ao quarteto, a alegria foi geral. Isto foi em fins de fevereiro, e no mês de abril já estávamos com a gravação concluída, tornando-se a cantata conhecida em todo o território nacional.

Era emocionante ver, nas apresentações, a reação das pessoas chorando na platéia, comovendo-se com aquela bela história do amor divino. A mensagem atingia, assim, o seu objetivo. O Quarteto Arautos do Rei apresentou esta cantata mais de 200 vezes, cumprindo a missão de ajudar a trazer muitos filhos pródigos de volta ao lar paterno.

Quando mudei-me para os Estados Unidos em 1984, resolví traduzí-la para o espanhol, em sua versão original para coral. A reação favorável dos ouvintes foi a mesma do Brasil. A cantata foi gravada pelo coral da Igreja Hispana de Glendale, California, tendo como solistas Ronald Karpiuk e Armando Cordero.

Em 1989, a cantata foi filmada e apresentada na TV Bandeirantes repetidas vezes. Aliás, se alguém tiver uma cópia deste video, peço que se comunique comigo.


Alex Reichert com Pastor S. Hoffman

Nesse mesmo ano, regressei ao Brasil para apresentar dois concertos no Rio de Janeiro. O ponto alto do programa foi a apresentação da Cantata do Filho Pródigo interpretada por um coral masculino formado por 18 componentes de várias versões do Quarteto Arautos do Rei, membros do Grupo VP, e alguns convidados especiais de quartetos masculinos de diversas igrejas evangélicas. Nunca esquecerei esta noite e não sei se algum dia conseguirão reunir tanto talento como naquela ocasião. No instrumental de teclados participavam nada menos que Lineu Soares, Jader Santos e Flávio Santos.

Entre os anos de 1989 e 1992, esta cantata foi apresentada dezenas de vezes, de Norte a Sul do Brasil, pelo Quarteto Reencontro, então formado por dois componentes do último Quarteto Arautos do Rei que eu dirigi, e dois componentes do primeiro Quarteto Arautos do Rei. Isso aconteceu sob a direção de Mário Jorge Lima.

Recentemente a cantata foi gravada pelo quarteto Ministry, de São Paulo, e temos um plano de preparar uma versão mais atual, que se chamará "O Jovem Filho Pródigo."

Agradeço a Deus pelos 34 anos desta cantata e oro para que a mesma continue sendo uma benção para todos que a escutarem pelos anos que virão. E deixo registrada minha mais sincera gratidão ao Pastor Hoffmann, por haver confiado seu texto a mim, então um músico ainda tão jovem. Somente no Céu poderemos conhecer todos os frutos deste trabalho, e agradecer de viva voz ao Pai por nos ter usado em tão maravilhoso projeto.


Anúncio do Jornal do Brasil
12 de Março de 1989.

subir